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Ciclista pedala 500 quilômetros para pedir mais espaço para as bikes

Bicampeão mundial de longa distância percorre em 15 horas 500 quilômetros no entorno da Lagoa da Pampulha para pedir implantação de ciclofaixas na capital, especialmente na orla

O sonho de pedalar em segurança em volta da Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte, fez o ciclista Rogério Pacheco se lançar em mais um desafio. Desta vez, durante 15 horas consecutivas, ele guiou sua bike pela orla para conscientizar autoridades sobre a importância da implantação de ciclofaixas na capital. O desafio começou na noite de sexta-feira e só terminou por volta das 12h de ontem, quando completou 25 voltas em torno da lagoa e um percurso de 500 quilômetros.

Tido como um dos maiores ciclistas de longa distância do Brasil em mountain bike e no ciclismo de estrada, Rogério é bicampeão mundial de 24 horas e protagonista do Pedalando Dez Dias pela Vida. Ele também vem se tornando conhecido por fazer da bicicleta um instrumento de ação social e política, além, é claro, de incentivar o seu uso como meio de conquistar uma vida mais saudável. Para ele, o ciclismo é um esporte democrático e transformador na vida das pessoas. “Vejo isso todo dia, quer seja no projeto que desenvolvo com dependentes de drogas, quer seja com pessoas que chegam até o grupo simplesmente porque querem perder peso, fazer exercícios ou mesmo ter um lazer diferente”, afirma.

E foi pensando nos públicos das mais diversas categorias que Rogério elaborou o projeto de ciclofaixas para a Pampulha, uma região que, segundo ele, está longe de oferecer segurança a milhares de pessoas que usam o local para se exercitar.
Na proposta, já encaminhada à Câmara Municipal, o ciclista defende uma série de intervenções para garantir um espaço próprio para os ciclistas e diminuir a ocorrência de acidentes envolvendo carros, bicicletas e pedestres.

“A proposta é que as ciclofaixas estejam no mesmo nível da rua, em sentido único e sem a proteção que normalmente separa as ciclovias das faixas destinadas aos carros. A delimitação do espaço seria feita apenas por cores na pintura do chão”, explica. Em pontos estratégicos, uma sinalização especial garantiria o respeito ao espaço reservado aos ciclistas, como a colocação de placas educativas em diversos locais.

Outras sugestões envolvem alterações de circulação em pontos como no trecho perto do Parque Ecológico Francisco José Lins do Rêgo, local em que Rogério defende a necessidade de mão única para veículos maiores. E, para destacar o que chama de descaso das autoridades para com as pessoas que usam a lagoa para lazer e a prática de atividade física, o ciclista chama a atenção para a ausência de banheiros públicos. “Essa é uma queixa frequente de quem circula por aqui. Não há um banheiro sequer em toda a orla da lagoa. No projeto, incluímos a instalação de várias dessas unidades. Essa manifestação é um apelo à prefeitura para que abrace a nossa causa.”

BENEFÍCIOS O uso das bicicletas como meio de transporte é fundamental para qualquer cidade grande. Como veículos de baixo custo, não poluentes, silenciosos e flexíveis em seus deslocamentos, as bicicletas ajudam a desafogar o trânsito e a despoluir o ar. Rogério Pacheco afirma que, com a instalação de ciclovias e ciclofaixas, a prefeitura estaria dando um grande incentivo para que a população saia de casa deixando seus carros na garagem, o que seria bom para a cidade e para a saúde de quem fizesse essa opção.

ENQUANTO ISSO…
…PEDALA BH é ampliado
O programa Pedala BH prevê a implantação de mais de 365 quilômetros de ciclovias na cidade. Em 2011, aproximadamente 18 quilômetros foram instalados. Outros 141 quilômetros de ciclovias estão em fase de elaboração de projetos em diversas regiões da capital. Além disso, Belo Horizonte ganhou, no fim do ano passado, 52 bicicletários, com vagas para 104 bikes nas regiões da Savassi, Hospitalar, Central, Nordeste, Barreiro, Noroeste e Leste. A expectativa da BHTrans é de contar, no fim de 2012,com mais de 150 quilômetros de ciclovias.

Vanessa Jacinto – Estado de Minas
Publicação: 22/01/2012 08:16 Atualização:

Estudo aponta situação crítica da Lagoa da Pampulha

Carlos Augusto Moreira (presidente da Terra Viva Organização Ambiental), Lílian Marotta (promotora de Meio Ambiente), Apolo Heringer Lisboa (coordenador do Projeto Manuelzão), Cláudio Luis Gonzaga Dias (assistente de Agência da Caixa Econômica Federal - Superintendência Centro de Minas) | Ricardo Barbosa/ALMG

Assoreamento, invasão de espécies exóticas de peixes e deposição inadequada do lixo. Esses são alguns dos problemas que atingem a Lagoa da Pampulha apontados em audiência pública para discutir o lançamento do Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, elaborado pelo Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A reunião foi promovida pela Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Assembleia Legislativa de Minas Gerais nesta quarta-feira (7/12/11).

O biólogo Ricardo Motta Pinto-Coelho, vice-presidente da Fundação Unesco-Hidroex e coordenador do LGAR, foi quem produziu o Atlas, juntamente com alunos e pesquisadores. Previsto para ser lançado em janeiro de 2012, o documento traz números que mostram a situação crítica em que se encontra o espelho d’água da Pampulha.

Mensalmente, quase 5 toneladas de poluentes são despejados no local por oito córregos. O lixo e o esgoto foram responsáveis pela redução de 20% de seu porte nos últimos 20 anos, segundo apontou o levantamento. Ainda de acordo com o estudo, quase 22% da área estão totalmente assoreadas. “A represa da Pampulha apresenta desafios tecnológicos e de gestão que precisam ser superados para que possamos voltar a desfrutar da área”, afirmou Ricardo.

Oportunidade – Para o biólogo, as copas das Confederações e do Mundo, em Belo Horizonte, são oportunidades para que se possa ter uma lagoa em condição melhor que a atual. Ricardo acredita que, em 2014, se ações forem concretizadas, é possível ter índices de qualidade de água próximos aos que foram no passado. “O momento é agora, temos a ‘faca e o queijo’ na mão: é preciso promover um movimento apartidário em prol da lagoa”, afirmou.

O coordenador do Projeto Manuelzão, Apolo Heringer Lisboa, discorda. Para ele, a lagoa só fica em foco em épocas de eleição ou de grandes empreendimentos, como a Copa. “Não vamos enganar a população de Belo Horizonte: ela não ficará ideal em 2014”. Para ele, “anos de negligência” dificultam uma solução rápida. Apolo acredita que muitas obras que vêm sendo feitas, como algumas voltadas para o desassoreamento, são apenas “maquiagem”. Ele justifica sua opinião dizendo que “nunca houve, até hoje, um trabalho de profundidade para resolver o problema”.

Segundo Apolo, o principal programa, atualmente, que pode beneficiar a limpeza do espelho d’água é o Caça-esgoto, de levantamento e corte de lançamentos clandestinos de resíduos em córregos. No entanto, ele alertou que é preciso sensibilizar a população. “Se a Copasa fizer o trabalho, mas as pessoas não ligarem seus esgotos à rede, não adiantará em nada”, disse. O deputado Rogério Correia (PT), autor do requerimento para a audiência, pensa de modo semelhante. “É preciso haver fiscalização e trabalho educacional para que as pessoas cumpram o que determina o programa. Muitos deixam de fazer para não terem que pagar taxas”, afirmou.

Esgoto – Na opinião do biólogo Ricardo Motta, os primeiros passos para recuperar a lagoa são a retirada e o tratamento do esgoto. O representante da Caixa Econômica Federal, Cláudio Luiz Gonzaga Dias, contou em reunião que, recentemente, convênios com a Copasa e a Prefeitura de Contagem foram assinados no valor de 100 milhões, com o objetivo de despoluir dois dos principais córregos que abastecem a represa: o Sarandi e o Ressaca.

Implantar programas de reciclagem e coleta seletiva de lixo na bacia da Pampulha; melhorar a drenagem e criar programas de prevenção e combate a enchentes urbanas; e impedir verticalização na orla da Pampulha são outras medidas apontadas pelo biólogo para recuperar a represa. “A solução tem que ser muldisciplinar e transversal”, afirmou.

Nova visão – Para o coordenador do Manuelzão, é necessária uma nova forma de encarar o espelho d’água. “É preciso trabalhar a Pampulha dentro da visão de bacia. Olhar a lagoa como pertencente às bacias do Rio das Velhas e do São Francisco”, acredita. Além disso, para ele, os setores empresarial, governamental e a sociedade civil têm que trabalhar em conjunto. Apolo acredita que a situação em que se encontra a lagoa reflete a civilização contemporânea, a nossa mentalidade e o modo como agimos. “Atualmente, há falência de pensamento de gestão, quando não se consegue mais atingir a quantidade imensa de problemas acumulados. E isso acontece em Belo Horizonte”.

Para prosseguir a discussão, o deputado Rogério Correia sugeriu que duas novas reuniões sejam feitas em fevereiro do próximo ano: uma em Contagem, outra na região da Pampulha. Para ele, a Comissão de Meio Ambiente tem um papel importante a cumprir na discussão. “Vamos fazer um controle do que será feito no conjunto de obras e intervenções na lagoa”, disse.


Imprensa ALMG
http://www.almg.gov.br

QUINTA-FEIRA, 8 DE DEZEMBRO DE 2011

Lagoa da Pampulha 366 chances para ser feliz!!!

Pouca água revela lixo e assoreamento na Lagoa da Pampulha.

No verão, são retiradas da lagoa 20 toneladas de resíduos por dia, e comportas foram abertas para evitar acidentes.

Augusto Franco – Do Hoje em Dia – 27/12/2011 – 03:42

Era para ser o cartão-postal da cidade. Mas o grande volume de lixo jogado diariamente na Lagoa da Pampulha voltou a chamar a atenção de quem passava segunda-feira (26) pela orla da represa. De acordo com a Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap), desde o início do mês, as comportas de escoamento da Pampulha estão abertas para evitar acidentes e transbordamentos. Isso porque o volume de água aumenta no período chuvoso. Com mais vazão, o nível da água fica mais baixo do que normalmente, e o lixo acumulado no fundo da lagoa artificial fica exposto.

Ainda segundo o órgão, durante os meses chuvosos, são retiradas, em média, 20 toneladas por dia de resíduos da Pampulha. Nos meses secos, o volume de lixo cai para sete toneladas diárias. Segundo a Sudecap, a chuva carrega grande parte do lixo que é jogado nas ruas dos bairros vizinhos à lagoa.

Para tentar amenizar o problema, a coleta de lixo na água é feita diariamente por sete pessoas, que utilizam dois botes e uma balsa. Nesta semana, a equipe está encarregada de reforçar a limpeza, já que o local é ponto de queima de fogos na virada do ano. Com a festa, o volume de lixo na água e nas margens deve crescer.

Inaugurada em 1943 pelo então prefeito Juscelino Kubitschek, a Lagoa da Pampulha é abastecida por uma rede de córregos com 97 quilômetros quadrados. Essa água nasce e desce por baixo de ruas que estão em Belo Horizonte (44%) e no município de Contagem (56%). Nesse trajeto, os córregos também recebem esgoto doméstico, que atualmente é a principal causa de poluição da represa.

Análises frequentes apontam que, por causa do esgoto, o consumo, o banho e mesmo a pesca na lagoa são desaconselháveis. Desde 2001, uma série de iniciativas está em curso para reduzir também a poluição da água. Até o fim de 2012, em parceria com as prefeituras dos dois municípios, a Copasa deve investir R$ 102 milhões em saneamento.

A estimativa da empresa é de que pelo menos 8 mil famílias, que moram na área da Bacia da Pampulha e contam com rede de esgoto passando em suas ruas, não fizeram a ligação da residência ao sistema de coleta. Ou seja, jogam seu esgoto diretamente na água.

Dos 40 córregos que formam a Bacia da Pampulha, 21 nascem em Contagem. Segundo a Copasa, cinco deságuam diretamente na represa. O Ressaca e o Sarandi, cujas nascentes estão na cidade vizinha a BH, são os maiores poluidores.

Salvem a Pampulha!

A imprensa tem mostrado aos belo-horizontinos a maior doença de nossa cidade: a poluição contagiosa, triste e vergonhosa da maior atração da nossa antiga cidade vergel.

Aliás, a manchete é recorrente, enquanto recorrente também é a administração municipal, prometendo os candidatos a ela uma grande operação de salvamento, e, quando empossados, omitindo-se ou não, mais que mitigando as dores daquele organismo agonizante.

Falam ambientalistas dos estertores daquele cartão-postal, gritam os preservadores daquele exuberante patrimônio arquitetural e físico, desencantam-se os moradores, protestam os belo-horizontinos, rugem os usuários e malham os que alguma voz possuem em nossa comunidade.

Nada, até hoje, conseguiu reunir a mobilização de forças citadinas para conter o previsível fim daquela doce paisagem que inspira os namorados, alegra os transeuntes e engalana a cidade. Visitantes deste Brasil e do exterior já se embriagaram com a Pampulha, criada pelo espírito mais sensível que já ocupou a sede do poder público municipal. A Pampulha, na verdade, nasceu com Juscelino e morreu com ele.

Morreu porque a criatura não recebeu as necessárias carícias de quem as devia, porque, ainda jovem, não lhe foram dirigidas atenções de que carecia para conviver com os ribeirões que lhe são tributários. Seu fim é agônico, pois os mesmos que lhe declararam amor não honraram suas promessas. É pena, mas a administração municipal, diante de evidências que a cada dia se multiplicam, só se movimenta quando a imprensa oferece as denúncias – melhor dizendo, contribuições – e, então, diante do quadro sempre catastrófico, adota uma ou outra providência que nada muda a situação inquietante que angustia moradores e usuários.

E não há muito a dizer; o retrato da catástrofe é não só revelado em preto e branco como ao vivo. Muito a fazer é a ordem. E não se aleguem motivos que impeçam uma ação intensa (porque é permanente) e eficaz para barrar o assoreamento e o envenenamento da lagoa. Se os recursos abundantes e sempre presentes para propaganda fossem canalizados para seu soerguimento – no qual, aí sim, patenteia o interesse público – a nossa esquecida e infeliz Pampulha poderia hoje ostentar a beleza e o vigor que abasteceram sua curta existência.

O protesto pela situação crítica em que se encontra a nossa lagoa e a súplica de todos nós pela sua recuperação são muito pouco do que o povo pede à administração municipal. Chega de sobrevidas ameaçadoras! Será que os trabalhos de saneamento iriam abalar as finanças municipais? É o mínimo que esta pacífica capital pede, é pouco o que seus habitantes aguardam do poder público, e esse pouco é tudo que se espera para que voltem a desfrutar daquele conjunto magnífico todos os que de lá se afastaram.

Que a Pampulha volte a ser o que era, aquele convidativo e agradável recanto frequentado pelos pássaros e pela “jeunesse doré” que lá bailou nas curvas instigantes de mestre Niemeyer.

Publicado no Jornal OTEMPO em 01/12/2011Avalie esta notícia »

Lagoa da Pampulha vira ‘lixão-postal’ de BH.

Uma das imagens símbolo de BH, represa recebe toda sorte de restos e até peças de carros e motos. Substâncias como óleos e graxas também podem prejudicar projetos de despoluição.

Encarregados da limpeza já não se surpreendem com a diversidade da sujeira na orla

“Não adianta só canalizar os esgotos, como o poder público planeja fazer. Os óleos e graxas, por exemplo, descem dos bota-foras, dos postos de combustíveis e dos veículos que circulam. São tão nocivos quanto o esgoto. São tóxicos. E ainda ajudam na proliferação de algas que bloqueiam a luz e a produção de oxigênio na água”, afirma o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho, coordenador do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Amontoados nas margens, mangueiras de veículos, portas, escapamentos, correias, embalagens de lubrificantes, desengripantes, aditivos e combustíveis são responsáveis por desprender quantidades muito altas de óleos e graxas na água de um dos cartões-postais mais importantes e conhecidos da capital mineira. De acordo com o Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), águas doces usadas para transporte náutico, no nível planejado para a Pampulha na Copa do Mundo de 2014, não podem apresentar qualquer quantidade de óleos ou graxas.

Estudos inéditos mostram que os produtos viscosos se encontram flutuando na superfície em concentrações altas, de até 12 miligramas por litro d’água. Órgãos de meio ambiente calculam que uma gota de óleo (1 mg) torna 1.000 litros de água impuros. Os dados constam do Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, publicação do LGAR a que o Estado de Minas teve acesso em primeira mão, e que será publicado no início do ano que vem.

Ao mesmo tempo em que a Copa do Mundo de 2014 fez a Copasa e as prefeituras de Belo Horizonte e de Contagem declararem estar mobilizadas para despoluir a Lagoa da Pampulha, o adensamento populacional que a região experimenta justamente por causa da valorização trazida pelo Mundial também ameaça inviabilizar essa tarefa.

Mesmo sem a aprovação da verticalização da orla na Câmara Municipal, especialistas afirmam que o aumento de tráfego na região e a construção de mais moradias são ameaças a um programa duradouro. Esse tráfego favorece o despejo de mais óleos e graxas para o reservatório. “O adensamento populacional traz excesso de tráfego e resíduos de óleo, graxa, resinas de escapamento, lonas de freio. Tudo levado pela chuva para a rede de drenagem que desemboca no reservatório. Além disso, os empreendimentos de alto luxo trazem atividades nocivas, como lavagem de pátios, estacionamentos e água de piscina”, alerta Ricardo Coelho.

Dúvidas

“A cidade está crescendo e aqui na Pampulha também vemos isso refletido no trânsito mais intenso de veículos”, atesta a presidente da associação dos moradores dos bairros São Luís e São José, Juliana Renault Vaz. “A prefeitura e a Copasa não procuraram os moradores. Por isso, não sabemos se haverá obras e a quem atenderão. A gente fica na dúvida se vai acabar tudo até a Copa, se serão maquiagens”, reclama Juliana. Como ela, várias pessoas que frequentam a orla duvidam da eficiência das obras. “Isso daqui é sujo demais da conta. Ninguém aguenta essa catinga. Não vão limpar tanto lixo até a Copa”, questiona o pedreiro João Gavião, de 54 anos. “Boniteza com sujeira não combina. Tinha de limpar, mas acho que vai voltar a ficar do mesmo jeito depois da Copa”, suspeita o operador de produção Adílson Manoel de Oliveira, de 34.

De acordo com a Secretaria de Estado de Meio Ambiente, o monitoramento da qualidade das águas da Lagoa da Pampulha está sendo feito e até o fim do ano um relatório será divulgado. Ontem, o governo de Minas assinou, por intermédio da Copasa, contrato de R$ 102 milhões para impedir que esgotos cheguem aos córregos que abastecem a lagoa. A PBH pretende licitar seu projeto de despoluição no ano que vem.

Sujeira no dia a dia

O esgoto que cai diariamente nos córregos que abastecem a Lagoa da Pampulha, depositando anualmente mais de 54 toneladas de dejetos; os sedimentos que aterraram mais de 20% da lagoa; as algas que proliferam e encobrem a luz solar, vitimando peixes e extinguindo microorganismos. São várias facetas da grave contaminação que há décadas mancha um dos mais importantes símbolos da capital mineira. Desde domingo o Estado de Minas vem mostrando problemas desde as nascentes que abastecem a Pampulha aos programas que visam limpá-la antes da Copa do Mundo de 2014. Uma tarefa dura e custosa, de mais de R$ 200 milhões, e que muitos ainda não acreditam ser duradoura.

TRÊS PERGUNTAS PARA…

RICARDO MOTTA PINTO COELHO, Coordenador do laboratório de gestão ambiental de reservatórios da UFMG

Desde quando os caramujos transmissores de esquistossomose e os aguapés eram os problemas mais visíveis da lagoa, há 23 anos, o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho já revirava suas margens levantando grande parte das informações que hoje se tem sobre a Pampulha. Agora, como coordenador do Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, a ser lançado no ano que vem, ele alerta para a necessidade de ações em vários setores para que não haja desperdício de dinheiro e as ações sejam duradouras.

1) O senhor acredita que a despoluição da Lagoa da Pampulha possa mesmo ser concluída até a Copa de 2014?

Sim, isso é possível. Fizemos experimentos em laboratório simulando ações de despoluição e é incrível a rapidez de resposta do ecossistema quando se remove o fósforo que entra por meio do esgoto. Agora, isso só será possível se a Copasa realmente desviar o esgoto doméstico para a estação de tratamento. Se tratar a água dos afluentes da Pampulha e devolver o esgoto para a lagoa, o fósforo volta e as algas crescem ainda mais.

2) O senhor vem dizendo que mais ações precisam ser feitas além das que a Copasa e as prefeituras de BH e de Contagem pretendem adotar. Quais seriam?

Não adianta as prefeituras e a Copasa tirarem o esgoto, tratarem a água, se não houver educação ambiental para que as pessoas tenham consciência e preservem. Mais empreendimentos habitacionais virão com o crescimento da cidade. É preciso ficar atento para o potencial poluidor, o lançamento de esgotos e o tráfego intenso de veículos.

3) São todas ações caras?

Nem todas. Há iniciativas baratas. Por exemplo, as tilápias são peixes que precisam ser controlados, pois revolvem o fundo da lagoa e espalham sedimentos e material poluído. São tão nocivos quanto alguns lançamentos de material contaminante. No entanto, enquanto a purificação de água por ozônio custa R$ 15 milhões, liberar a pesca da tilápia e outras iniciativas não chegam a consumir R$ 1 milhão.

Fonte: Estado de Minas

Córrego que mais carrega lixo e esgoto para a Pampulha é contaminado.

Um riacho de águas que correm mansas e recebem em seu curso pelo arvoredo o toque leve de folhas de galhos mais baixos. A cena própria de matas ciliares é o que os dicionários descrevem como sarandis. O cenário idílico, contudo, não poderia ser mais distante da realidade do Córrego Sarandi, apontado por especialistas como o principal poluidor da Lagoa da Pampulha. Suas nascentes, no Bairro Cinco, em Contagem, na Grande BH, já brotam sujas de dejetos domésticos e lixo de canalizações cinzentas que mais parecem esgotos do que minas.

As águas turvas e malcheirosas que mais poluem a Lagoa da Pampulha correm por 16,7 quilômetros recebendo jatos de esgoto clandestino, sacos de lixo doméstico, pilhas de entulho e até animais domésticos mortos. Em sua jornada diária até a lagoa, o Sarandi despeja diariamente centenas de quilos de poluentes. Em seu encontro com o Córrego da Ressaca, em frente ao Parque Ecológico da Pampulha, os dois levam 4,1 toneladas de poluição a cada mês, segundo medições deste ano.

A contribuição anual dos dois ribeirões para a degradação da lagoa chega a 50,52 toneladas de poluentes. São 92,05% de todos os dejetos que chegam à lagoa e que totalizam 54,88 toneladas. É como se todos os dias os dois córregos despejassem 138 quilos de poluentes concentrados na lagoa. As informações são do Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, reunidas pelo Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR) da UFMG. “O esgoto e o lixo no Sarandi são um problema gravíssimo. Os detergentes e restos jogados têm fósforo. Esse elemento químico favorece o crescimento de algas e cianobactérias que cobrem a lagoa e reduzem sua oxigenação”, aponta o coordenador do LGAR, o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho.

O afloramento da primeira nascente ocorre no chamado “hortinho florestal” do Bairro Cinco. Das ruas movimentadas, onde carretas circulam carregadas entre indústrias e fábricas, a mata de eucaliptos parece ser um santuário verde cercado por asfalto e concreto. Mas a primeira sensação de quem entra no bosque é do cheiro forte de esgoto nas narinas. O local se tornou bota-fora clandestino, com lixo de todos os tipos: sacos com restos de alimentos, embalagens de laticínios, produtos de limpeza, cosméticos, calçados velhos, um vaso sanitário e até um sofá.

CHUVA É impressionante tudo isso ser atirado no mato, quando a apenas 50 metros dali funciona um posto de recolhimento de lixo da Prefeitura de Contagem. “Falta educação. Custa andar mais um pouco e jogar as coisas num lugar certo? Já vi gente jogar tudo fora. Aí, a chuva ainda traz o lixo que fica na rua”, conta Antônio Ribeiro Viana, de 49 anos, um dos funcionários do posto de coleta.

A 500 metros dali, sob a Avenida Sócrates Mariani Bittencourt, a mina d’água aterrada sai por tubulões de concreto já escura e malcheirosa pelo esgoto lançado no Bairro Monte Castelo. O curso contaminado com lixo encontra o degradado pelo esgoto quase sob o trevo entre a BR-040 e a Via Expressa de Contagem.

No meio do caminho, mais esgoto é lançado pelas casas de bairros do entorno do Córrego Sarandi e dos cursos d’água que o alimentam. “Não tenho rede de esgoto na rua. O jeito é jogar a água suja toda no córrego”, lamenta a aposentada Maria Maura de Jesus, de 53 anos. A família dela e de outras dezenas de casas do Bairro Morada Nova, em Contagem, despejam seu esgoto diretamente num riacho que deságua no Sarandi. Ela diz que, se tivesse rede de esgoto, faria o lançamento doméstico nela. “No fim dos tempos, vamos ficar sem água. Lembro-me de quando esse córrego era limpo. A gente vinha apanhar água, tomava banho nele. É uma pena ver o jeito em que ficou”, disse.

Mais à frente, já em Belo Horizonte, onde o ribeirão corre em canalização aberta na Avenida Clóvis Salgado, o EM contou 17 pontos de acúmulo de entulho nas margens do Sarandi. “É gente que passa aqui à noite e despeja os restos de construção e lixo de carroças, de carrinhos de mão e carros. Aí, vem a chuva e leva tudo para o córrego”, conta o telhadeiro Lucas Ferreira, de 21 anos.

Fonte: Estado de Minas

Baixo nível na Lagoa da Pampulha expõe degradação causada por esgoto e lixo.

Abertura de comportas para evitar danos com chuva expõe o problema denunciada pelo EM, que teve acesso a estudo sobre situação crítica da represa.

Lagoa da Pampulha está carregada de metais pesados e sujeira

Antes de começar a caminhada do fim de semana, na manhã de sábado, o casal Giovani Bastos, de 29 anos, e Fabiana Teixeira, de 26, já sentiu o mau cheiro no ar. Um odor ardido de esgoto e lixo invadiu o ambiente no café da manhã. Eles descobriram a fonte ao sair de casa, no Bairro Bandeirantes, em direção à Lagoa da Pampulha. Para evitar estragos com a chuva, a prefeitura abriu as comportas da represa na sexta-feira, baixando o nível em 30 centímetros. Foi o suficiente para expor uma amostra grotesca do lixo sob as águas poluídas e cobertas por algas: peixes mortos, garrafas PET, recipientes de cosméticos, vasilhas de lubrificantes, latas de sprays e detergentes exalavam odor fétido parecido com o de um chiqueiro. “Que cheiro terrível. Se quem mora já não gosta, imagine o visitante”, reclamou o gerente de postos Giovani.

Conforme o EM antecipou ontem com exclusividade, o inédito Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR) da UFMG, que será publicado em janeiro, aponta a situação crítica da lagoa, que recebe lixo e esgoto de oito córregos. Os afluentes, infestados de ligações de esgotos, descarte de lixo e entulho, despejam 54,88 toneladas de dejetos anualmente no reservatório. São 150 quilos por dia, fora o lixo. Só para se ter uma ideia, de acordo com especialistas, uma gota de poluição torna 1.000 litros d’água contaminados.

O atlas aponta políticas prioritárias para que a lagoa, que compõe o conjunto arquitetônico idealizado por Juscelino Kubitschek e Oscar Niemeyer, seja despoluído até as copas das Confederações (2013) e do Mundo (2014). O monitoramento dos córregos que deságuam na lagoa deve ser intensificado, os esgotos precisam de tratamento biológico, a drenagem urbana carece de melhorias para assoreamento e enchentes. Paralelamente a isso, toda a fauna e flora da bacia hidrográfica precisaria ser recomposta e as espécies exóticas removidas, enquanto a verticalização da orla deve ser combatida e a educação ambiental disseminada em escolas e programas especiais.

Enquanto projetos de despoluição da prefeitura e da Copasa não se tornam realidade, medidas paliativas, como o esvaziamento da lagoa, contenção de aguapés e remoção de lixo flutuante, continuam sendo adotadas, como ocorre desde a década de 1990. Políticas sem impacto significativo, segundo especialistas, e que obrigam visitantes a conviver com odores repugnantes e degradação ambiental. “A despoluição definitiva da Lagoa da Pampulha só ocorrerá com investimentos fortes. É preciso captar os esgotos e tratar a água e o ecossistema que sofreu por todos esses anos de contaminação”, afirma o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho, coordenador do LGAR.

Investimentos Com outros planos, a Copasa e a PBH afirmam ter suas próprias iniciativas para acabar com a poluição e restaurar a beleza e a pureza das águas do reservatório. De acordo com o gestor da Meta 2014 da Copasa para despoluição da Lagoa da Pampulha, Valter Vilela Cunha, R$ 102 milhões financiados pela Caixa Econômica Federal serão investidos para encontrar e dar tratamento adequado a 8 mil pontos de esgotos de dezenas de bairros de Belo Horizonte e de Contagem. Eles poluem diretamente os ribeirões que deságuam na lagoa.

“Vamos implantar, até 2013, 45 quilômetros de rede coletora, 21 quilômetros de interceptores e 13 quilômetros de urbanização em fundos de vales. Levaremos à Estação de Tratamento de Esgoto do Onça 100% do esgoto coletado pela Copasa. Hoje, são 62%”, planeja Cunha.

A PBH informou que vai licitar no ano que vem um projeto para despoluir as águas e drenar cerca de 750 mil metros cúbicos de detritos que assorearam a lagoa. O custo é estimado em mais de R$ 100 milhões, mas a administração municipal não revela quais métodos serão empregados, se dragas potentes ou o uso de agentes químicos.

Com 23 anos de trabalhos na Lagoa da Pampulha, o biólogo Ricardo Coelho conta que um dos processos estudados pela prefeitura é a purificação da água por gás ozônio. “É uma técnica inovadora, mas que ainda foi pouco testada. Foi desenvolvida na Universidade de Miami (EUA), e um grupo brasileiro detém seus direitos de uso aqui”, afirma Coelho. “Nosso objetivo é tornar a água limpa o suficiente para realizar transporte aquático sobre ela até a Copa de 2014”, espera Cunha.
Pescaria arriscada na água contaminada

Sentados na beira do gramado, sob a sombra de uma árvore frondosa, dois pescadores atiram sua linha na Lagoa da Pampulha à procura de lazer e de um belo pescado para o fim de semana. Personagens fáceis na orla, eles não se intimidam com a camada grossa de algas mortas e onde mergulham suas iscas ou com as placas que alertam sobre o perigo de pescar. “Sempre peguei peixes aqui. Dizem que a lagoa está poluída, mas nunca vi ninguém morrer de comer os peixes”, diz o pedreiro João Batista da Silva, de 63 anos, que foi para a pescaria com um amigo.

O que os dois não sabem é que a fauna e a flora da lagoa estão contaminados por metais pesados, como chumbo, cádmio e zinco. São elementos tóxicos que se desprendem de eletrodomésticos atirados nos afluentes da lagoa e vão parar no principal cartão-postal da capital. De acordo com o Atlas da Qualidade da Água do Reservatório da Pampulha, do Laboratório de Gestão Ambiental de Reservatórios (LGAR) da UFMG, amostras da musculatura e do fígado de peixes da Pampulha atestaram índices graves de contaminação. O chumbo, por exemplo, metal que acumula nos ossos humanos com o tempo, chegou a 7 mg/g, quando a legislação nacional, de 1977, não recomenda consumo acima de 0,8 mg/g. Quem consome a carne desses animais acaba exposto a quase nove vezes o recomendado.

O problema que mais causa repulsa nos frequentadores da lagoa é a grossa camada de algas mortas que retém lixo e exala odor desagradável. De acordo com o atlas, a clorofila medida no lago aponta para concentrações de até 2,85 gramas de algas para cada litro d’água. Com a morte dos organismos aquáticos, formam-se camadas malcheirosas de mais de cinco centímetros. “Quando morrem e se decompõem, as cianobactérias desprendem gás sulfídrico, que é tóxico e responsável pelo mau cheiro que incomoda os visitantes”, atesta o coordenador do LGAR, o biólogo Ricardo Motta Pinto Coelho.

A poluição acelera o ciclo de degradação. “Esses organismos são fertilizados pela poluição que chega dos córregos que abastecem a Pampulha. Encobrem a lagoa, impedem a entrada de luz e a produção de oxigênio”, afirma Coelho. As maiores concentrações ficam entre os bairros Bandeirantes, Braúnas, Garças e Copacabana, que concentram às suas margens atrações turísticas como o Parque Ecológico, o Zoológico, o clube AABB, exatamente onde a prefeitura instalou uma rede para conter lixo e aguapés.

“A gente vem no fim de semana que tem folga para exercitar e encontra esse mau cheiro e lixo para todo lado. A Pampulha está abandonada. Deve receber só uma maquiagem para a Copa de 2014 e depois voltar ao normal”, critica a jornalista Larissa Ferreira, de 27 anos, que se exercita na orla.

Fonte: Estado de Minas

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